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The RealReal e a economia circular

The RealReal e a economia circular

Sebos, brechós, antiquários… as lojas especializadas na venda de produtos de segunda mão existem desde (quase) sempre. De alternativa para quem não tem condições de comprar produtos novos a sinônimo de estilo, passando por destinos de caçadores de relíquias, as lojas de produtos usados ganharam um novo status na era da sustentabilidade: são agora parte da economia circular.

Com o objetivo de aumentar o ciclo de vida de itens de luxo, Julie Wainwright começou em 2011 - fazendo contatos e indo visitar pessoalmente consignadores - o The RealReal, o maior marketplace de peças de luxo autenticadas do mundo. Com três lojas em Nova York e Los Angeles e mais 11 escritórios de consignação espalhados pelos EUA, a empresa é a prova do potencial do mercado de revenda de itens usados - quem lembra da Flight Club?

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De quadros do Andy Warhol a bolsas Chanel, o The RealReal garante a autenticidade de cada uma das peças vendidas. Um time especializado é responsável por toda a avaliação, e verificação de autenticidade dos produtos, que passam por um longo processo, incluindo fotografia, precificação, copy e colocação de SKU até chegar nas lojas e site.

Credibilidade, confiança e o relacionamento próximo com os clientes estão no core da The RealReal, que até hoje oferece serviços domiciliares de avaliação de produtos e tem um portfólio extenso de clientes famosos. Quem entra na loja de dois andares no Soho, em NY, nem diz que se trata de um brechó. O VM, a comunicação e apresentação dos produtos são dignos de lojas de luxo.

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Aliás, a loja da The RealReal é um excelente exemplo de utilização inteligente do espaço físico - ao invés de ser um simples canal de venda, é um ponto de comunicação com o cliente, atendimento personalizado, experiência e branding. O café no andar de baixo entretem os clientes que esperam pela avaliação dos produtos. Para os interessados em moda, a loja oferece workshops com os mais variados temas, que abordam desde a história da consignação até bate-papos com designers.

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Quando o assunto é conteúdo, a The RealReal também é ótimo exemplo. Tanto a loja, quanto o site e redes sociais, têm uma comunicação impecável e super relevante. O blog deles mostra histórias e entrevistas com consignadores, dá dicas de autenticação e de moda. Já o Instagram é cheio de curiosidades sobre as marcas, curadoria de produtos e conteúdos interativos. Nas lojas, além dos eventos, alguns produtos ganham destaque especial bem no estilo museu - com direito a storytelling e tudo. Isso sem falar no letreiro de LED que fica passando os dados de vendas e produtos como se fosse a NASDAQ na Times Square.

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Com o mantra “buy well, make well, re-sell” e seu conceito de economia circular, a The RealReal fala diretamente com as gerações de consumidores que estão emergindo - pessoas que sabem exatamente o que querem, valorizam a personalização e fator único dos produtos e se preocupam com seu impacto no meio ambiente. O destaque fica por conta a criação de uma ‘calculadora de sustentabilidade’ - que calcula que a empresa ajudou a economizar 1.39 bilhões de copos de água ao diminuir o impacto das marcas de luxo.

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Achei incrível também saber que as marcas de luxo ainda veem empresas como a The RealReal como uma ameaça. A única a ter uma parceria com a loja de consignação é a Stella McCartney - ao vender produtos da marca para a The RealReal o cliente ganha $100 para gastar em um novo produto na Stella McCartney. Ideia que, na minha opinião é genial: além de associar a marca a atitudes sustentáveis, incentiva o cliente a voltar a comprar e ainda torna o produto mais acessível para quem não pode comprar a versão nova. Afinal, quem compra as últimas novidades e tendências não vai deixar de consumir nas lojas tradicionais. Só não enxerga a oportunidade quem não quer. Marcas como a Chanel, por exemplo, resolveram ir na contramão e entraram com processos alegando a venda de produtos falsificados.

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Enfim, a The RealReal é hoje pra mim um dos exemplos de caminhos que o varejo do futuro pode tomar. O que vocês acham sobre este tipo de operação? Acham que pode ser realmente uma ameaça para as marcas ou será mais uma oportunidade de negócio? Me conta nos comentários!

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